Terça-feira, 15 de Julho de 2008

Kandandu Teta Lando

"Angolano segue em frente seu caminho é só um
esse caminho é difícil mas traz a felicidade
esse caminho é difícil mas traz a liberdade.
Se você é branco isso não interessa a ninguém
se você é mulato isso não interessa a ninguém
se você é negro isso não interessa a ninguém.
Mas o que interessa é sua vontade de fazer uma Angola melhor
uma Angola verdadeiramente livre,
uma Angola independente. "

Publicada por Orlando Castro em 18:03

Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

FILHOS DO OCIDENTE

As independências dos países africanos ocorridas na segunda metade do século vinte, tiveram como principais destinatários os membros das elites ocidentalizadas (e instrumentalizadas) das suas populações. Mesmo quando eles se diziam progressistas, socialistas, comunistas e outros “istas”, a verdade é que, salvo raras excepções, eram filhos de famílias que as potências coloniais tinham criado, protegido e enriquecido e não raras vezes tinham utilizado para submeter os povos desses países. Essas foram as famílias que enriqueceram com o comércio de escravos, com o trabalho forçado, com as agriculturas de exportação, com a mineração desenfreada, com a depredação das florestas.

Quando as independências chegaram, foi aos filhos dessas famílias, que tinham estudado nos colégios europeus que foi entregue o governo dos novos países. Na verdade e perdoem-me o radicalismo, os verdadeiro filhos dos colonos foram eles. Eles que herdaram países onde era possível sonhar a liberdade e a utopia, a igualdade e o desenvolvimento, e que numa patética imitação dos milionários ocidentais só se interessaram por enriquecer, olhando com desprezo autista a fome que o seu enriquecimento abusivo provocava nos seus próprios povos.

Na verdade, eles são os filhos do ocidente, essa élite repugnante, gorda e anafada, que trata milhões de africanos como verdadeiros escravos. Eles são os filhos do ocidente que os protege, que os corrompe e que se corrompe com as migalhas roubadas aos povos africanos.

Houve excepções ? Certamente, mas foram rapidamente afastadas, através do terror, do assassinato, do golpe de estado.

Nesta nova era da informação as novas gerações africanas e europeias só não sabem o que se passa, porque não querem ou quando não querem.

O que o mundo em geral e a África em particular estão a permitir que se faça no Zimbabwe é repugnante. Onde estão as grandes declarações, os debates sobre a fraude que se fez, o terror que se viveu ?

Recordo agoniado, que quando se reacendeu a guerra civil em Angola, por causa de uma fraude que manteve o Mpla no poder, todo o mundo com o governo português à cabeça, pediu (e conseguiu) a condenação da UNITA. A ONU decretou sanções contra os seus dirigentes, foram proibidos de viajar, e até os estudantes que a UNITA tinha enviado para universidades em Portugal viram as suas contas bancárias (onde só tinham a bolsa que recebiam) congeladas. Tudo isto feito a um partido que nem sequer era governo. E agora ? Porque é que Portugal não propôe sanções contra os governantes do Zimbabwe como propôs contra a os dirigentes da UNITA ?

Se calhar porque os dirigentes da UNITA não eram os filhos dilectos do ocidente como os outros eram e são...

A LIBERDADE DE INFORMAÇÃO EM ÁFRICA

A liberdade de informação é um direito fundamental essencial, referido em 1946 pela Assembleia Geral das Nações Unidas como a pedra de toque de todas as liberdades a que as Nações Unidas se consagram. Sendo um elemento imprescindível para a fruição da liberdade de expressão é também essencial para garantir a transparência e fiscalização dos poderes públicos e a salvaguarda dos direitos fundamentais, principalmente em África que reclama ser cada vez mais democrática. Mas em que se traduz na prática? No dia a dia, cada vez mais, somos confrontados com as seguintes questões. Qual a natureza, estrutura e alcance reais do direito a saber, e a que realidades e a que sujeitos se aplica? De que modo têm os Estados africanos dado seguimento aos princípios de enquadramento? Qual o papel dos media e das novas tecnologias no fomento da liberdade de circulação de informação, os princípios a que as disposições sobre liberdade de informação se devem conformar e as opções políticas de base que sustentam um direito à verdade em confronto com diferentes modelos de sociedade e violações passadas dos direitos do homem? Para o Presidente nigeriano, Umaru Yar'Adua, que lamenta o facto da maioria dos países africanos estarem confrontados com desafios alarmantes de inexistência de infra-estruturas e de debilidade das instituições e estruturas de governação, as tais disfunções resultam duma má governação económica e política, da corrupção, da etnicidade, da política egoísta de intolerância e da falta de compromisso com os ideais nacionais. Da tendência de imputar esta situação aos nossos antecedentes coloniais e à partilha (territorial) desestruturada que deu lugar ao surgimento de Estados pobres e frágeis, não podemos negar o facto de que vários flagelos de África foram causados e perpetuados pelos próprios Africanos.

publicada por Dr. Izidine.Abdul.Cadir às 11:56 a 19/Mar/2008 em http://causa-africana.blogspot.com

Domingo, 4 de Maio de 2008

Qual Robin dos Bosques...

Sábado, 3 de Maio de 2008

Este ladrão eu perdoo...

Por vezes a gargalhada torna-se é irresístivel, mesmo quando o caso é sério, e se trata de alguma ilegalidade.

Decorre em Luanda um evento denominado Festival Internacional da Paz, promovido pela Casa Blanca, empresa do bem conhecido Riquinho. Para além da utilização abusiva de certas palavras que o poder angolano e os seus satélites já nos habituaram, importa contar a notícia. O tal festival decorre no Pavilhão da Cidadela. Atracção principal o cantor de rap americano e ex-ganster 50 Cent. Um homem experiente nestas andanças, conhecido por já ter sido baleado nove vezes e ter sobrevivido.

Pois estava o cantor americano, com a sua banda “G-Unit”, em plena actuação, quando da plateia salta um fã mais entusiasmado, rompe a barreira de segurança, e antes que alguém o possa prever, arranca o fio que o cantor usava ao pescoço (onde brilhava uma enorme cruz cheia de diamantes) e ei-lo que desaparece entre a multidão. O cantor, ainda se atirou para a multidão (gostava de saber se foi com o típico voo a que os grandes artistas já nos habituaram), mas do ladrão nada.

Furioso, 50 Cent parou o espectáculo e em conjunto com a sua banda zarpou para o hotel.

Bom, nesta altura todo o aparelho de segurança, deve andar à procura do oportuno ladrão, não tanto para lavar a honra da Pátria, mas para pôr as mãos na jóia que deve valer uma fortuna.

Só espero que o autor do insólito, não corra a tentar vendê-la (o que é o mais certo), porque será apanhado. E isto porque apesar de não ser meu costume apoiar os ladrões, a gargalhada que este me provocou me tornou tolerante.

Depois de um processo cheio de peripécias contratuais, 50 Cent, deve estar furioso e perguntando-se como é que se meteu nesta. Uma coisa é certa, enquanto que a fama de Angola teve uma baixa de cotação no mercado do rap americano, os ladrões dos States devem estar a perguntar-se se poderão fazer um estágio em Luanda.

E isto numa semana de operação policial “Tolerância Zero”...

Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

A prova dos nove dos países da África Austral..

Um pouco por toda a África os países vão-se democratizando... ou pelo menos fingindo que o fazem.

A Democracia, esse melhor de todos os maus sistemas tornou-se na maior parte de África uma caricatura mal feita, uma máscara que nada esconde, um jogo de faz-de-conta a que o Ocidente e o mundo dito desenvolvido fecham os olhos, num interesse pestilento pelos recursos minerais ou pior ainda num desinteresse maléfico que já nem as imagens de crianças famintas demovem.

Os blocos regionais africanos, vão-se desenvolvendo devagar, muito devagar, sem conseguirem resolver os problemas estruturais herdados do colonialismo e aprofundados pelas frágeis independências. E entre os diversos blocos aquele em quem se depositavam as maiores esperanças era o da África austral, o chamado SADC.

Os motivos para a esperança eram e são simples. Nos países da SADC estão a maioria dos recursos minerais de África, as maiores reservas de água potável. Entre os países da SADC está o mais desenvolvido país do continente negro, a África do Sul.

E na África do Sul a mais espantosa e pacífica transição de poder, de um país dominado por uma minoria branca para um país dominado pela maioria negra da sua população.

Infelizmente, alguns dos países da SADC, tranformaram-se numa caricatura da democracia, com governantes corruptos, elites enriquecidas á custa dos roubos sistemáticos dos bens publicos e privados, enquanto a maioria das populações se arrastam numa miséria cada vez maior, no limiar da sobrevivência.

As recentes eleições no Zimbabwe colocaram o SADC perante a sua maior prova sob o olhar atento do mundo.

Robert Mugabe perdeu. E agora ? Que vai fazer o SADC ? Calar-se, aceitar os desmandos e as loucuras de um velho meio senil que oprime e impôe uma vida degradante ao seu Povo ?

Esta é a prova dos nove. Se o SADC não passar nesta prova a Àfrica não terá uma segunda chance. E bem poderão os africanos insistir na UA, na NEPAD e em todas as palavras bonitas. O seu crédito terá acabado, ninguém mais acreditará neles.

Esta é a prova dos nove de uma África que procura a verdadeira democracia, o desenvolvimento e o reconhecimento internacional.

Oxalá os governantes do SADC saibam ver o que está à frente dos seus olhos.